Historia

A Associação Recreativa e Cultural de Músicos foi fundada em 1990 e no decorrer destes anos tem vindo a desenvolver e a apoiar os jovens do concelho de Faro e concelhos adjacentes, nas suas mais diversas formas e expressões artístico-culturais, com ocupação dos tempos livres e proporcionando um convívio harmonioso, inclusivo e salubre. 

Os seus primeiros passos foram dados na Rua D. João Stuart nº 2 em Faro, que serviu de sede e local para inúmeros espetáculos e apresentações de vários jovens artistas durante largos anos.

Após o abandono deste antigo e emblemático local e temporariamente numa outra sede (Bom João) até ao aparecimento de novas instalações, tentou-se ir dando continuidade às diversas atividades que a Associação ia realizando, de forma a manter atividade junto dos seus sócios. Mas cedo se verificou que esta sede não conseguia em termos de espaço físico satisfazer todas as necessidades da Associação. Depois de inúmeros esforços perante a Câmara Municipal de Faro, foi-lhe cedida um espaço provisório para a sede (antiga escola primária da Sambada – Bordeira) mas a sua distância a Faro e dificuldade de acesso por falta de transportes públicos, fez com que se continuasse a procurar um outro local adequado às suas atividades.

Em 2001 a A.R.C.M. encontrou finalmente um espaço que ia ao encontro das expectativas e necessidades do seu trabalho. Na rua General Gomes Freire nº 2. Aí a A.R.C.M. acolhia 18 salas de ensaio, 31 bandas que juntavam mais de 150 músicos de todos os estilos musicais e é, juntamente com a sua sala de espetáculos, já uma referência nacional e uma indispensável infraestrutura que servia também de espaço de apoio aos seus mais de 500 sócios, bem como a grupos de dança, teatro, coletivos de DJ’s e outras associações, que por falta de espaço próprio recorriam a esta para desenvolver as suas atividades. 

Como é do conhecimento público, a A.R.C.M. é então alvo de uma ação de despejo que põe em risco a continuidade deste projeto que, sem fins lucrativos, mas financeiramente autossuficiente, serve transversalmente a comunidade farense, a cultura da região e representa, nesta dimensão e abrangência, um exemplo único de associativismo que cria as condições necessárias à liberdade criativa e de expressão. 

Nos seus primeiros 21 anos de atividade, e em particular desde 2001 pelas melhores condições da atual sede, a A.R.C.M. aumentou  sucessivamente o leque de atividades desenvolvidas, quer por iniciativa e produção própria, quer por disponibilização de condições a outras instituições.

Estabelece-se com fundações sólidas um projeto com as características necessárias às atividades desenvolvidas. As salas de ensaio servem de espaço de trabalho e apoio às bandas, um estúdio de gravação oferece as condições para o registo e edição profissional do trabalho musical desenvolvido e a sala de espetáculos permite a apresentação ao público do trabalho desenvolvido nas salas de ensaio.

A sala de espetáculos, paralelamente, afirmou-se como uma verdadeira sala multiusos que veio oferecer à cidade e à região uma infraestrutura única já que, em toda a região e fora do circuito institucional de teatros e auditórios municipais, não há outro espaço com a versatilidade e disponibilidade que esta apresenta.

Com dois palcos, o principal, com capacidade para acolher 1000 espectadores,  permitiu incluir Faro nas Tournées de bandas nacionais e estrangeiras que se limitavam a apresentar espetáculos em Salas como Paradise Garage e HardClub em Lisboa e Porto respetivamente. O palco secundário, com capacidade para 200 espectadores, era utilizado para concertos mais intimistas e jam’s. 

Esta versatilidade da sala multiusos permitiu a realização das mais diversas atividades: concertos, teatro, cinema, desfiles de moda, exposições, debates, workshops, convívios de grupo, provas desportivas de artes marciais e BMX, entre outras. 

A sala multiusos era ainda semanalmente local de apoio para os ensaios de dois grupos de teatro – te-Atrito e Oficina de Expressão dramática – e dois grupos de Dança – Dança Criativa e Danças tradicionais da Ucrânia, Grupos de percussão – Projeto Bagatela e Orquestra de Ritmos do Algarve. Estes projetos reuniam semanalmente uma média de 100 elementos, na sua maioria jovens. 

Regularmente a A.R.C.M. recebe solicitações de outras instituições para cedência da Sala multiusos. Este facto confere à ARCM um vasto património de relações de colaboração, parceria ou simplesmente apoio com um número crescente instituições, associações ou mesmo grupos informais.

Relativamente às salas de ensaio, a situação é similar já que, por oferecer estas condições para o desenvolvimento artístico/cultural, pouco habituais no panorama cultural Algarvio, a procura era de tal ordem que não se conseguia responder a todas as solicitações, por falta de espaço. No entanto, entre aqueles a que conseguiu dar resposta encontrava-se a Associação Grémio das Músicas que utiliza uma das salas de ensaio para desenvolver o seu trabalho de prática e formação na área do jazz.  

A A.R.C.M. desde a sua criação que assumiu para além do papel de agente cultural, o de interveniente social. Desde 1998 que desenvolve trabalho com o Instituto da Droga e Toxicodependência, participando em programas de apoio ao combate à tóxico-dependência e programas reinserção social de jovens em recuperação. 

Tem sido também recorrente a participação em programas de estágios de fim de curso (profissionais ou universitários) com a integração de estagiários no trabalho da A.R.C.M.

As ações de solidariedade, estatutariamente assumidas, têm sido uma constante na sua atuação. São muitos os espetáculos organizados pela A.R.C.M. cujas receitas revertem a favor de outras instituições com importante intervenção social como o Refúgio Aboim Ascensão, a Casa dos Rapazes, Associação oncológica do Algarve, ASMAL, AAPACDM, APPC entre outros.

Um sem número de atividades culturais que no seu espaço físico, e na sua capacidade logística de os acolher, encontram condições de que necessitam e de que todos os interessados poderão usufruir, dando assim o seu contributo para a cultura e dinamização de Faro e da região, tendo como retorno, maior visibilidade do seu trabalho.

A A.R.C.M. é um indubitável polo central de cultura, lazer, interatividade, inclusão, de partilha de conhecimentos, de diversidade e de aceitação das mais variadas formas de criatividade e tornou-se imperativo salvaguardar a continuidade deste projeto essencial à dinâmica cultural da cidade e da região. 

Face à possibilidade de despejo, os sócios, os amigos e a população da cidade manifestou sistematicamente a sua preocupação e apoio à A.R.C.M. Em 4 de Dezembro de 2010 realizou-se o Desfile Silencioso (há maior dor para um músico que o silêncio?), um momento de demonstração pública destas preocupações. As iniciativas que se desenvolveram para denunciar a possibilidade do despejo levaram a uma corrente de gestos de apoio, transmissora de uma confiança de que a solução será encontrada, por forma a que todos estes projetos e vontades não se vejam repentinamente interrompidos. 

Em abril de 2014, a A.R.C.M. passa a ocupar o edifício da “Fábrica de Cerveja” propriedade do município, onde se reconstrói em ocupação de espaços, mas não se destrói em missão. Volta a oferecer as mesmas valências, com salas de ensaio e de espetáculos e uma vastíssima programação dirigida a uma multitude de públicos, sem nunca abdicar de uma lógica programática com um papel culturalmente estruturante contínuo na sociedade onde se insere e que influencia. 

A E.M.M.S. – Escola de Música Moderna do Sul é criada em 2021 como uma forma de proporcionar à comunidade local uma alternativa ao ensino oficial da música. Atenta às profundas transformações do setor que operaram no período durante e pós-pandémico, especialmente associadas a um desenvolvimento tecnológico sem precedentes, oferece aulas de vários instrumentos musicais como baixo, bateria, guitarra, saxofone, piano e canto. As modalidades técnicas oferecem ainda a possibilidade de obter formação nas áreas da gravação e edição de música, entre outras, colmatando uma clara falha neste segmento, hoje essencial. 

Em 2023, no dia da cidade, é reconhecida publicamente a importância da A.R.C.M. para o tecido cultural da cidade, ao ser-lhe atribuída a Medalha de Mérito de Grau Ouro. Esta distinção honorífica tem por finalidade homenagear publicamente, entre outras, pessoas coletivas nacionais que contribuam para o engrandecimento do município de Faro, bem como aquelas que se notabilizem pelo seu reconhecido mérito, prestígio, ação, serviço ou contributos para a comunidade. 

Em 2025 a A.R.C.M tem, pela primeira vez, uma mulher música como presidente, anunciando assim um futuro a dar continuidade ao papel da associação como agente efetivo na construção de uma sociedade equitativa e benigna por ser culturalmente informada.